Passeio por entre os canteiros densos da cidade. As mãos entrelaçadas, muito unidas.

Vidros no alto refletindo as mil luzes do sol da manhã.

Reflexos por toda parte. Manchetes.

Minha sobra corre rápida, apressada. Vejo nas vitrines um certo perigo. Sou o pequeno rato que impacientemente tenta salvar seu amigo da rede que o prende. Um ratinho impiedosamente sufocado pela cidade, pela violência, pela própria adolescência, tão difícil às vezes.

O céu ainda é azul. Tento segurar esse tempo, que não pára, não pára de passar.

E o meu medo? Amanhã o tempo passa e eu tô igualzinha aos meus pais, tão conscientes e ao mesmo tempo tão cúmplices, tão pacientes, reprimindo suas revoltas. São castigados agora pelo grito que não tiveram coragem de dar em seu tempo. E eu? Ah, meu Deus! Preciso fazer alguma coisa, mas parece que meus caminhos já estão trilhados...

Já é tarde na cidade agora. A luz vermelha do sol conflita com os rostos tensos das pessoas que passam, de olhos amargos.

Dentro de mim uma grande raiva. Um medo de que não me deixem lutar pelas coisas que devem ser feitas, que me fechem a boca e façam da minha vida apenas mais uma. Medo de não ser forte o suficiente, de não ir avante, de não me entregar inteira. E se eu não encarar essa, quem é que vai??

                                                              

Hoje é dia dos pais!!

                       

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PS: Leiam o post de baixo, please!

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